Já reparou que vivemos a era do faça você mesmo? A Internet trouxe voz a bilhões de pessoas que passaram a utilizar a rede como um meio para trocar e expor seus conhecimentos. O YouTube é a melhor prova disso, com vídeos que vão de simples tutoriais de receitas de bolo até pessoas que compartilham dicas e incentivos sobre como fazer uma nave espacial em casa.

Mas o que está por trás disso?

Entre os grandes prazeres da vida humana está a aprendizagem: a satisfação em entender como fazer algo que não sabíamos ou em dominar um determinado assunto, por exemplo. Porém, a ideia aqui não é falar sobre o modelo tradicional de aprendizagem praticado nas escolas, com grades curriculares fixas, cargas horárias, notas e avaliações – e que vem sendo questionado em relação à sua eficiência.

Alterações econômicas, sociais e tecnológicas influenciaram a maneira como as pessoas adquirem e reproduzem conhecimento – e isso tem impacto direto no mercado de trabalho: antes, um indivíduo passava 20 anos ou mais sentado em uma cadeira na sala de aula e depois torcia para utilizar esses conhecimentos na empresa. Agora, os desafios das organizações demandam que os profissionais se atualizem de forma intensa e constante.

Aí está a importância de se criar uma nova cultura de aprendizagem, mais adequada a essas características da sociedade atual. Então hoje, mais do que nunca, precisamos falar sobre aprendizagem autodirigida.

Aprendizes autodirigidos criam, escolhem ou buscam suas próprias oportunidades de desenvolvimento, com base nas suas necessidades. Estes são os seus 4 princípios básicos:

1. Escolher aprender, estudar ou praticar algo: não importa o assunto ou o formato, basta que seja interessante e significativo para você, com base nas suas necessidades de aprendizagem.

2. Buscar de forma proativa pessoas, recursos ou parceiros: são eles que irão te auxiliar ao longo do caminho de aprendizagem.

3. Definir o sucesso da aprendizagem nos seus próprios termos: quais serão os indicadores de que você atingiu seu objetivo? Em um mundo onde as notas das provas decidem destinos, é preciso fazer novas propostas.

4 – Assumir a responsabilidade: o resultado de seus esforços, seus erros e acertos são fruto do seu trabalho – ou até da falta dele!

Mas como a aprendizagem autodirigida se aplica ao ambiente corporativo? Confira algumas dicas:

  • Abandone o controle: o RH deve estar mais à serviço da educação e menos a serviço do controle. Isso quer dizer que seus esforços devem estar na direção de selecionar os temas mais relevantes para os treinamentos das equipes, por exemplo, e não apenas em registrar quantas horas/aula foram realizadas.
  • Invista na cultura de aprendizagem: quando há uma boa cultura de aprendizagem dentro da organização, as iniciativas dos colaboradores surgirão de forma autônoma.
  • Não faça convocações: muitos treinamentos são obrigatórios, seja por questões regulatórias ou até pela política da empresa. Mas a forma como o colaborador irá aplicar o conhecimento na prática pode ser uma escolha dele. Os adultos só aprendem, de fato, quando precisam daquele conhecimento. Dê opções para que escolham livremente.
  • Aprendizagem autodirigida não é sinônimo de aprendizagem isolada: reunir grupos para troca e discussão é fundamental nessa aprendizagem independente.
  • Dê as ferramentas e a motivação: uma rede social corporativa, por exemplo, é um ótimo local para que os colaboradores exercitem a aprendizagem autodirigida e a troca de conhecimentos. Incentive suas equipes!

Um aprendiz autodirigido sempre toma responsabilidade sobre sua educação e sua carreira. Ao estimular a aprendizagem autodirigida, você terá, cada vez mais, colaboradores com autonomia, atitude de dono e responsáveis pelo seu próprio desenvolvimento.