Preencher o currículo com inglês fluente, cursos de renome e boas notas as chamadas hard skills – já não basta. Os recrutadores também buscam habilidades que estão além dessas qualificações, as soft skills. Mas qual a diferença entre estes dois termos?

As hard skills, ou habilidades ditas cognitivas, como matemática, proficiência em idiomas estrangeiros, programação, certificados e cursos em geral, são facilmente identificadas em um profissional por serem habilidades técnicas, tangíveis.

Já as soft skills, ou habilidades não-cognitivas, são mais difíceis de serem quantificadas, pois englobam competências pessoais, tais como comunicação, flexibilidade, persuasão, trabalho em equipe, colaboração e liderança – sim, é nesta categoria que estão as mais importantes características de um bom gestor.

Segundo pesquisas, as soft skills são cruciais no mercado de trabalho atual: são hoje muito mais requisitadas do que há 20 ou 30 anos e isso só tende a crescer. De acordo com o World Economic Forum, em 2020, inteligência emocional, criatividade e gestão de pessoas estarão no topo das listas das habilidades mais demandadas pelas organizações.

Em um mercado de mudanças tão rápidas, como o que vivemos hoje, a capacidade de se antecipar e preparar para as futuras habilidades requeridas é um ponto cada vez mais crítico para governos, empresas e indivíduos. O ritmo acelerado da ruptura tecnológica, demográfica e sócio-econômica está transformando indústrias e modelos de negócios, alterando as competências que os empregadores precisam e reduzindo a vida útil dos conjuntos de habilidades existentes.

Então dê uma olhada nas habilidades abaixo, que são fundamentais para um líder em sintonia com esse cenário:

  • Criatividade: pré-requisito essencial para a inovação e para driblar tempos de mudanças exponenciais, que trazem inseguranças e incertezas. Com a avalanche de novos produtos, tecnologias e recursos que surgem todos os dias, os gestores deverão ser criativos para saber como se beneficiar dessas possibilidades.
  • Pensamento crítico: intrinsecamente relacionado à criatividade – afinal, uma ideia pode ser boa, mas antes de ser colocada em prática, essa tomada de decisão deve ser examinada minuciosamente em seus prós e contras.
  • Resolução de problemas complexos: capacidade de solucionar desafios reais que se apresentam em configurações complexas. 36% de todas as posições em todas as indústrias exigem esta competência como uma das principais habilidades.
  • Facilidade para se relacionar: em ambientes cada vez mais multigeracionais, culturais e globalizados, saber se relacionar bem com a equipe é primordial para orientá-los rumo aos objetivos do negócio.
  • Empatia: em um ambiente corporativo, as pessoas muitas vezes são desumanizadas e vistas como meros recursos. Um líder eficaz precisa se colocar no lugar dos membros de sua equipe. Somente assim poderá tomar decisões positivas para todos.
  • Comunicação: seja oral ou escrita, uma comunicação eficaz está diretamente relacionada ao poder do líder em alavancar o desempenho de seu time. Além disso, ser extremamente técnico também pode deixar algumas pessoas de fora de um determinado assunto, por exemplo. Tenha certeza de que todos entendem o que você quer dizer.
  • Facilidade e disposição para aprender: esta é uma habilidade essencial para o líder que deseja se manter a par das mudanças e desafios impostos pelas volatilidades do mercado.
  • Humildade: muitos líderes pensam que devem ser melhores do que qualquer membro da sua equipe. Esta é uma ideia falsa. Um bom gestor deve confiar em seu time e escutá-lo. Além disso, ao reconhecer suas fraquezas, poderá trabalhar com pessoas cujas forças complementem seus gaps.

Com isso, podemos concluir que de nada adianta um gestor ter uma excelente formação e ser tecnicamente bem preparado, se não souber lidar com pessoas e com suas próprias emoções e dificuldades.

Lembrando que as soft skills, assim como as hard skills, também podem ser desenvolvidas – com uma diferença: não basta apenas estudar sobre elas, é preciso colocá-las em prática, na vida real, durante um período de tempo considerável. Trata-se de uma mudança que muitas vezes pode ser um pouco desconfortável, mas certamente terá impactos profundos e positivos nas equipes e, consequentemente, nas organizações. Os erros são inevitáveis ao longo do processo, mas o crescimento virá.

Quanto mais cedo as empresas conseguirem identificar essas lacunas de habilidades críticas e criarem estratégias contínuas de desenvolvimento e aprendizagem, mais elas poderão contar com profissionais e líderes bem preparados em todos os níveis de seu pipeline.

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Referências:

13 Soft Skills Every Tech Leader Should Have – Forbes

Goodbye, maths and English. Hello, teamwork and communication? – World Economic Forum

The Future of Jobs – Employment, Skills and Workforce Strategy for the Fourth Industrial Revolution – World Economic Forum

Seven Facts on Noncognitive Skills from Education to the Labor Market – The Hamilton Project