Embora a educação digital esteja cada vez mais consolidada como modelo de ensino e de capacitação profissional, a real eficácia desses programas é ainda muito contestada, especialmente quando são aplicados na área de Saúde. Entre outros aspectos, questiona-se, por exemplo, até que ponto a tecnologia inerente a esta interface, por mais que seja bem apurada, dá conta de substituir o contato entre professor e aluno e/ou aluno e paciente. Outra discussão e questionamento relevante trata sobre a importância de uma educação prática – o que, em tese, seria inviabilizado pelo uso do ambiente virtual.

Verdade seja dita, trata-se de uma discussão ampla e, evidentemente, bastante necessária. Ainda assim, é inegável que a tecnologia, em suas mais diversas formas (inclusive como ferramenta de capacitação da equipe de Enfermagem), tem se inserido de forma decisiva no ambiente hospitalar. De acordo com estudo da Deloitte, “Connected health – How digital technology is transforming health and social care”, a tecnologia digital está avançando exponencialmente e seu custo está despencando. Ao mesmo tempo, a demanda e o custo dos cuidados de saúde prestados ao paciente estão aumentando, o que desafia a maioria das economias de saúde em todo o mundo. A necessidade de adotar tecnologias para ajudar a enfrentar esses desafios parece óbvia, mas a área da Saúde continua a ficar atrás de algumas indústrias nesse sentido.

Em relação à educação continuada, há que se dizer que as barreiras acerca da aplicação da tecnologia como ferramenta de aprendizagem em instituições hospitalares são inúmeras. No entanto, muitas delas não passam de mitos. Veja, a seguir, as cinco maiores crenças a respeito do assunto – e saiba por que, na prática, a educação digital pode oferecer excelente custo/benefício para as instituições de saúde.

1 – “É impossível capacitar adequadamente os profissionais de Enfermagem sem contato com o paciente ou com os demais profissionais da equipe multiprofissional”

A ideia de adotar recursos tecnológicos como ferramenta de educação corporativa em hipótese alguma deve eliminar o contato com o paciente ou com os demais profissionais da equipe multiprofissional. Na realidade, a proposta deve reforçar e complementar o que, via de regra, já é realizado na maior parte dos hospitais e instituições de saúde. Os programas de educação continuada devem oferecer essa proposta de tornar a aprendizagem mais dinâmica, completa e eficiente, a partir de abordagens que orientam a teoria ligada à prática no dia a dia do profissional.

2 – “A não familiaridade com tecnologia será uma barreira”

A saúde é um dos setores onde especialistas mencionam que haverá mais impacto com o surgimento de novas tecnologias nos próximos anos. Porém, sua adoção não é tão óbvia nas instituições. Nesse ponto, o apoio da área de educação e do RH são muito importantes para fomentar uma estratégia de aprendizagem e uma cultura mais digital na organização como um todo. Para isso, as ferramentas escolhidas para fomentar a educação corporativa devem abranger um conteúdo que esteja efetivamente alinhado com o interesse e a demanda da equipe de Enfermagem – o que aumentará o engajamento e o comprometimento com as atividades propostas.

3 – “A equipe terá dificuldade em se adaptar aos treinamentos não presenciais”

Para grande parte dos gestores de equipes de Enfermagem, encaixar treinamentos dentro da rotina de trabalho costuma ser um grande desafio. Ainda que seja possível identificar dias e horários em que há menor demanda de procedimentos ambulatoriais ou clínicos, basta que haja, por exemplo, um fluxo atípico de pacientes para que a programação vá por água abaixo – seja pela necessidade de realocar parte da equipe para o cuidado com os pacientes ou seja em meio à maior demanda, dessa forma os participantes tendem a perder o foco. Os treinamentos não presenciais, ou seja, os que usam plataformas digitais, solucionam essa questão, já que possibilitam aos profissionais de Enfermagem decidirem em que dia e horário preferem realizar o treinamento e tenham, assim, maior autonomia.

4 – “O ambiente virtual privilegia a teoria, não a prática”

Esse é outro grande mito relacionado à educação a distância, já que, dependendo da estrutura apresentada pelo ambiente virtual, é possível expor o profissional a uma série de situações e cenários que requerem bastante domínio técnico e com os quais ele precisa lidar em sua rotina de trabalho. Em outras palavras, o ambiente virtual é um espaço controlado onde há espaço para erros e, simultaneamente, evidencia quais são os protocolos a serem obedecidos nas situações apresentadas. Claramente, nem todas as ferramentas atualmente disponíveis no mercado oferecem a ligação entre a teoria e a prática, por isso é necessário encontrar os treinamentos que mais se adequam às necessidades da equipe de Enfermagem e que estimulem os profissionais a darem continuidade ao próprio desenvolvimento. A orientação sobre a prática é sempre importante, visto que mais do que saber a teoria, é necessário aplicá-la com excelência no dia a dia com os pacientes. Portanto, a teoria sempre estará ligada à prática, o que não diminui o ensino on-line, já que ele representa um ganho de tempo no dia a dia do profissional, tendo em vista que ele poderá realizá-lo no horário mais oportuno, retirar dúvidas com os gestores e refletir sobre o seu desempenho não só no momento do treinamento.

5 – “É mais difícil acompanhar os resultados obtidos pela equipe em treinamentos virtuais do que nos presenciais”

Com grande frequência, os gestores de equipes de Enfermagem recorrem a análises subjetivas para avaliar a evolução de seus profissionais. Ainda que os pontuem ou classifiquem de acordo com o desempenho apresentado em cada item, muitas vezes essas notas são distribuídas sem um critério claro, o que pode contribuir essencialmente para a manutenção dos gaps de formação e experiência profissional dos técnicos de Enfermagem e enfermeiros. Em contrapartida, as plataformas virtuais possibilitam acompanhar muito de perto o desempenho de cada participante, oferecendo aos responsáveis a oportunidade de colher resultados concisos e objetivos, através da melhoria do profissional no dia a dia do trabalho e por meio de relatórios, os quais servem para orientar a equipe de educação continuada a engajar os profissionais que não estiverem com bom aproveitamento no programa e a manter estimulados os profissionais com bom aproveitamento.

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