Reduzir os índices de turnover continua a ser um dos principais – senão o principal – desafio enfrentado por gestores de equipe de Enfermagem. Pesa, contra eles, o fato de que muitos profissionais da área trocam de emprego motivados estritamente por questões salariais, fazendo com que se sintam de mãos atadas.

No entanto, é preciso ir além na hora de buscar soluções para esse cenário. Estudos de mercado revelam, por exemplo, que, embora importantes, os aspectos financeiros podem ficar em segundo plano na decisão de sair ou permanecer num determinado emprego. Para muitos profissionais, questões como perspectiva de crescimento e identificação com a empresa se sobressaem nessa escolha.

Sabe-se que melhorar a remuneração ou oferecer bônus para garantir a retenção nem sempre é suficiente. Mesmo que a contrapartida financeira sirva de estímulo num primeiro momento, muitos dos colaboradores que optam por ficar podem se desengajar em pouco tempo depois.

Esse, sim, é um aspecto preocupante – mais até do que a relação evidente entre motivação salarial e turnover. De acordo com o Estudo Global sobre Força de Trabalho, realizado pela Towers Watson, “apenas 28% dos profissionais brasileiros estão altamente engajados no trabalho. Entre os demais, 30% estão desengajados, 26% se sentem sem suporte por parte das empresas e 16% estão desvinculados de suas companhias”.

Nesse cenário, criar estratégias para aumentar o engajamento dos profissionais é uma maneira eficaz de reduzir a rotatividade e, ainda, fomentar a produtividade para obter melhores resultados para o negócio.

A recomendação, claro, também serve para a área da saúde, em especial para as equipes de Enfermagem: quanto maior a identificação dos profissionais de Enfermagem com as instituições em que atuam, maiores são as chances de que se mantenham motivados e comprometidos em longo prazo – o que minimizaria a questão do turnover e, ainda, impulsionaria a qualidade da assistência, beneficiando igualmente pacientes e hospitais. Veja, a seguir, 5 dicas para impulsionar o engajamento de sua equipe.

1. Crie indicadores para fornecer feedbacks mais consistentes

Antes de chamar a atenção de um colaborador para uma eventual falha (e, assim, adotar uma postura reativa ao erro), procure estudar e identificar as principais dificuldades da sua equipe como um todo para adotar medidas capazes de saná-las (assumindo um comportamento proativo).

A melhor maneira de inverter nessa relação é criar e mensurar indicadores devidamente alinhados à estratégia de seu hospital. Assim, você poderá oferecer feedbacks mais consistentes, baseados em critérios pré-definidos, que naturalmente serão mais bem-recebidos e assimilados por seus profissionais.

2. Motive seus colaboradores a traçarem um plano de carreira

De acordo com pesquisas de mercado, muitos profissionais de Enfermagem que mudam de emprego motivados apenas por questões salariais estão vivendo algum conflito profissional ou, de fato, financeiro. A sensação de pouco reconhecimento no ambiente de trabalho também colabora para que eles tomem decisões olhando o curto prazo e busquem novas oportunidades.

Por isso, procure manter um diálogo aberto com cada um dos integrantes da sua equipe para compreender quais são suas dificuldades, estimule-os a pensar no plano de carreira, na importância do desenvolvimento profissional e ajude-os a enxergar as oportunidades de crescimento dentro da instituição no médio e longo prazo. Essa troca constante também lhe possibilitará identificar gaps individuais que necessitam de atenção.

3. Estimule a visão sistêmica e o pensamento crítico de sua equipe

Ao contrário do que muitos deduzem, fomentar o pensamento crítico e a visão sistêmica dos profissionais de Enfermagem não significa conceder, a eles, o “direito” de executarem procedimentos clínicos/ambulatoriais da maneira como preferirem. Trata-se, na verdade, de criar condições para que conheçam tão profundamente os protocolos a ponto de se tornarem capazes de propor soluções e inovações – que, evidentemente, devem ser analisadas e consideradas por seus gestores.

Por serem os profissionais que mais dispendem tempo e atenção junto aos pacientes, os membros da equipe de Enfermagem têm mais oportunidades de identificar eventuais falhas de processos de trabalho nos protocolos assistenciais. Estimulá-los nesse sentido fará com que se sintam vistos e reconhecidos e, ainda, poderá trazer melhorias efetivas na qualidade do atendimento.

4. Identifique e corrija os gaps individuais de seus profissionais

Não é novidade que grande parte da equipe de Enfermagem apresenta importantes gaps de formação teórica e prática, mesmo depois de acumular alguma experiência profissional. Cientes dessa realidade, diversas instituições têm optado por selecionar seus novos colaboradores com base em requisitos comportamentais – sob o pretexto de que assumirão a responsabilidade pelo “restante”, ou seja, pela capacitação técnica. No entanto, na prática, nem sempre é isso o que acontece.

Ao fornecer treinamentos e programas de educação genéricos, essas instituições falham em não reconhecer as individualidades de seus profissionais, seus pontos fortes e fracos, o que faz com que se sintam ainda mais desengajados. Por isso, é importante inverter o cenário: observe e conheça os atributos de cada um dos seus colaboradores e, sempre que possível, desenvolva estratégias para sanar as principais deficiências individuais.

5. Inove nos programas de educação e reciclagem

Os tradicionais programas de educação continuada adotados em saúde estão, em sua maioria, defasados em relação às práticas de sucesso atualmente vigentes em outros segmentos. Ainda que, evidentemente, as demandas médico-hospitalares sejam bastante específicas, algumas soluções já disponíveis e testadas atendem perfeitamente a essas necessidades.

As plataformas de aprendizagem digital, por exemplo, possibilitam otimizar o tempo de estudo, adequar a metodologia de acordo com as necessidades da instituição e do profissional, e acompanhar muito mais de perto o desempenho de cada estudante. Algumas, inclusive, colaboram na criação e no monitoramento de indicadores (como proposto na dica 01), além de facilitar a mensuração dos resultados individuais para uma melhor identificação dos gaps (como explica a dica 04).

Essas plataformas não substituem, mas, sim, complementam o conteúdo proposto em sala de aula – compondo o chamado Blended Learning, a partir do qual avalia-se a utilização de todas as ferramentas e metodologias disponíveis, incluindo abordagens aparentemente opostas, como a aprendizagem formal e informal, as experiências de sala de aula e online, a autodireção e a colaboração.

Quanto mais capacitado e estimulados a mudarem as suas atitudes no dia a dia, mais os profissionais de Enfermagem darão conta de prestar uma assistência livre de risco ao paciente. Além disso, por se sentirem devidamente valorizados por uma instituição que investe em seu aprendizado, eles se tornam mais engajados e mais pré-dispostos a permanecerem na equipe.