Embora o avanço tecnológico esteja cada vez mais presente na área da saúde, impactando diferentes aspectos do diagnóstico e atendimento – quase 90% dos médicos brasileiros já utilizam o Whatsapp para se comunicar com os pacientes -, nas áreas de treinamento e desenvolvimento profissional o uso da tecnologia ainda é bastante limitado. Ao mesmo tempo, a retenção do quadro de enfermagem é uma das principais dificuldades enfrentadas pelas instituições de saúde do Brasil e os elevados índices de turnover e baixos índices de retenção provocam uma série de consequências relacionadas à qualidade do atendimento aos pacientes.

Diante desse cenário, o Blended Learning surge como uma proposta que, combinando iniciativas formais e informais, presenciais e virtuais, teóricas e práticas, visa contribuir para potencializar o aprendizado e desenvolver competências e habilidades necessárias à atuação do profissional de enfermagem. Além de possibilitar a personalização e flexibilização do ensino, e ainda reduzir os custos de treinamento (uma vez que os participantes poderão ter acesso aos conteúdos a qualquer hora e lugar), essa abordagem permite formatos mais dinâmicos e interativos que contribuem para aumentar o interesse e engajamento dos participantes.

Cabe ressaltar aqui que não se trata apenas de inserir um computador ou outro equipamento tecnológico no dia a dia dos profissionais, ou ainda de substituir o treinamento presencial – também indispensável para o aprendizado – mas, sim, desenvolver um mix de estratégias que, combinando o melhor de cada metodologia, sejam capazes de incentivar a autonomia, a aquisição de responsabilidade e proatividade e, sobretudo, considerem o participante como elemento central do processo de aprendizagem.

Sendo assim, como aplicar o Blended Learning no treinamento de profissionais de enfermagem?  Existem algumas questões que podem ser respondidas antes de decidir quais ferramentas e recursos adotar:

Resultados de aprendizagem: Quais os resultados em termos de performance que se deseja alcançar? O que se espera que os profissionais de enfermagem consigam realizar após esse treinamento? Quais as habilidades que precisarão ser desenvolvidas? Quais são os indicadores que vão provar que, de fato, existiu uma mudança no comportamento?

Conteúdo: Será um treinamento técnico, comportamental ou ambos? Quais atividades e formatos de aprendizagem terão maior aderência em cada um dos casos?

Perfil: O que se conhece sobre os participantes do programa? Como é a rotina de um profissional de enfermagem? De que maneira é possível aplicar um treinamento que não atrapalhe a rotina e, ao mesmo tempo, desperte o interesse pelo aprendizado? Quais ações de engajamento deverão ser realizadas para estimular adesão dos participantes?

Infraestrutura: Existe alguma barreira tecnológica? Qual é a infraestrutura necessária para o treinamento? Os participantes estão familiarizados com as metodologias e ferramentas utilizadas?

Organização: Como a instituição de saúde pode se preparar para a aplicação dessas soluções combinadas? A alta liderança entende que desenvolvimento de pessoas faz parte do planejamento estratégico da organização? Existe o apoio da diretoria e dos gestores? Quais ações deverão ser realizadas para engajar a liderança?

Contexto: Que outros problemas são únicos do contexto da sua instituição e, por isso, devem ser considerados?

Não existe uma fórmula única para utilização do Blended Learning. Entretanto, considerar as diferentes possibilidades existentes para facilitar a aplicação do conhecimento é, sem dúvida, o primeiro passo para desenvolver estratégias de aprendizagem e desenvolvimento eficazes, que preparem os profissionais de enfermagem para atuar com excelência exigida pelo mercado atual.